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O Veleiro Valentim


Vivia em alto mar um veleiro vermelho e ligeiro.
O seu nome era Valentin e seu sonho: velejar o mundo inteiro.

-Saiam da frente, abram espaço pra mim. Sou o veleiro mais veloz e valente Valentim

E passava tirando onda, o veleiro impaciente!
Não se importava com ninguém, só queria chegar na frente!

Seus pais lhe diziam que para velejar era preciso  paciência e conhecimento:
- Você tem que parar para descansar, observar o céu, as marés e o vento.

Seus amigos, com muita paciência,  paravam para ouvir os veleiros com mais experiência.

Que falavam das das fases da lua,
dos movimentos dos ventos,
E também das mudanças das marés, das estrelas e do tempo.

E disseram ao Valentim que passava à toda pressa:
Juntos podemos ir mais longe. Vêm com a gente, vamos nessa?!

Mas Valentim, tão apressadinho, não deu importância  e seguiu sozinho...

E sozinho navegou, até que veio um vento muito forte que o levou em direção a costa e foi parar num mangue ao norte!

Agora, o veleiro Valentim corria sério perigo: Não tinha mamãe por perto, nem papai e nem amigo.

Sentiu seu casco na areia!
-Oh não! - gritou assustado!
Viu a água se recolher
- Estou frito, digo, encalhado!

E então, o veloz veleirinho que nunca acalmava o passo,
Agora não tinha escolha: Enfim sossegou  casco.

E viu o sol se esconder, o céu se estrelar e uma enorme lua cheia lá no alto a brilhar
Parou para contemplar a lua e o seu brilho, e prometeu que safando-se dessa seria um veleiro mais tranquilo.
A assim cantou Valentim:

Lua, querida lua
Que aprendi a contemplar
Prometo não ter mais pressa
Me leva de volta ao mar

E sentiu tanta saudade dos seus amigos e  de seus pais que chorou até não poder mais.
Aos prantos adormeceu e assim que amanheceu sentiu seu casco molhado:
- Será que de tanto eu chorar fiz um lago?

Mas logo viu que a água que enchia todo o mangue vinha de uma correnteza! Só podia ser presente da divina mãe natureza!

Mas é claro! Que sorte a do veleirinho peralta! A lua estava cheia e a maré estava alta!

Agora já sentia seu casco flutuar, mas precisava da ajuda do vento pra chegar no mar e mais uma vez pôs-se a cantar:

Vento, querido vento
Que me sopra e me dá asas
Aprendi muito sozinho
Mas agora eu quero casa

E então, gentilmente, o vento o soprou mar adentro na direção onde seus pais e amigos o esperavam a todo momento

E todos os veleiros se alegraram e se juntaram para celebrar enfim, o retorno do veleiro Valentim.
Agora ele parava e a todos ouvia e agradecia!

E na companhia de seus amigos veleiros, não havia mais primeiro, segundo ou terceiro 

pois sempre de velas dadas e muito unidos

Velejaram os mares do mundo inteiro.

- Com meus amigos pelo mar sem fim sou o veloz mas também paciente Valentim




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