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Mostrando postagens de 2022

as tantas marcas

Em meu corpo há tantas marcas que já não faz falta tatuar Dos lugares por onde andei, das incontáveis paisagens que vi, dos mil sotaques que ouvi e que, de tantos cheiros que senti, este faro apurado ninguém me há de tirar  São marcas em mim registradas, meus direitos autorais, minha licença poética de ser as mil pessoas que por mim passar'ou mais,  As mil músicas que escutei compuseram minha inacabada partitura  Os sabores que provei, me permitiram experimentar a doçura, mas também suficiente amargura para que arte pudesse brotar São bênçãos dos aventureiros, que no fundo também têm medo mas insistem em se lançar  Se lançar como a flecha derradeira que mesmo em meio a nuvem de poeira sabe que longe irá chegar O caminho, ainda que incerto, nos convida de peito aberto a insisir em caminhar 

A menina e a dança

Era uma vez, uma fada ferida que condenou com um olhar a menina que dançava ingenuinamente nua na frente do espelho.  Desde então,  a menina se trancou no alto da torre  do castelo até esquecer-se que o movimento do seu corpo era a sua força mais pura e divina. Mas o sonho de bailarina,  de si mesma nunca pôde esconder. Passou grande parte da sua vida buscando formas aceitáveis de dançar. Disseram-na para não mexer demais ou quadris, a cintura e o busto e ela acatou tudo que a pudesse tirar, mesmo que parcialmente, da Torre em que tão cedo se colocou. Um dia, a menina cresceu e soube que à noite haveria um grande baile. Então, ela colocou um vestido vermelho de godê, ajeitou no cabelo  uma flor de crochet e aventurou-se a fugir da torre para dançar secretamente.  Mas assustou-se ao entrar em contato com uma parte sagrada de si. Conheceu a sua força venusiana que a todos envolvia. As pessoas faziam roda em sua volta  para sentir os seus movimentos,...

TEMPO DE TER TEMPO

SÓ QUEM TEM TEMPO DE TER TEMPO PODE DIZER QUE NÃO ESTÁ ATRASADO QUE EU NÃO BUSQUE UM TEMPO DIFERENTE DESTE AGORA SACRAMENTADO; QUE O UNIVERSO ME CONCEDA A FORÇA DE LUTAR PELO QUE RESISTO: P'RA TER TEMPO DE TER TEMPO NUM MUND'ONDE TER TEMPO É MALVISTO ESTA É A MINHA NOBRE CAUSA PELA QUAL LUTAREI NOITE E DIA, POIS SEM TEMPO DE TER TEMPO NÃO SE TEM A POESIA ESTA LINDA ÁGUIA DOURADA QUE NEM SE APRESSA NEM SE DEMORA QUE SÓ PODE RECEBÊ-LA QUEM AQUI ESTIVER AGORA JÁ MUITO VENDI MEU TEMPO NA BUSCA PELO DINHEIRO, AGORA SE ME DESCULPA, A POESIA VEM PRIMEIRO POIS NO TEMPO QUE ELA ACONTECE EU ME SINTO MAIS À VONTADE SE AGORA ESCREVO POESIA, SOU POETA DE VERDADE. @geisaborgescrita

Receita para um bom dia

O que será necessário para ter um bom dia? Será sonhar e escrever poesia? Será dançar ao som da sinfonía? Será sentir o sal e a maresia? O que será necessário para ter um bom dia? Para dar fim à minha agonia, Para tornar valsa esta melancolia? Me diz qual é o segredo?! Que eu seguirei sem medo Mas não passarei o dia  Debruçada no parapeito À espera de um dia perfeito 

Pensamentos e flores

 É tanto pensamento aqui dentro que penso com certo lamento já não mais poder guardar Abro as portas e os deixo ao vento mas assim ao relento também não os posso deixar Como pode essa caixinha tão discreta, circunférica e simétrica tanta coisa criar? Como pode uma jardineira cuidadosa lançar ao solo sementes formosas para abandoná-las ao fim? Pois o jeito é cuidar destas rosas, transformando em verso e prosa as flores deste jardim

as tantas marcas

Em meu corpo há tantas marcas que já não faz falta tatuar Dos lugares por onde andei, das incontáveis paisagens que vi, dos mil sotaques que ouvi e que de tantos cheiros que senti, este faro apurado ninguém me há de tirar  São marcas em mim registradas, meus direitos autorais, minha licença poética de ser as mil pessoas que por mim passar'ou mais,  As mil músicas que escutei compuseram minha inacabada partitura  Os sabores que provei, me permitiram experimentar a doçura mas também suficiente amargura para que arte pudesse brotar São bênçãos dos aventureiros, que no fundo também têm medo mas insistem em se lançar  Se lançar como a flecha derradeira que mesmo em meio a nuvem de poeira sabe que longe irá chegar O caminho, ainda que incerto, os convida a de peito aberto a insisir em caminhar 

Pescadora de Palavras

O mar está agitado, o mar não está para peixe. Mas, ainda assim,  o mar é sempre o mar: imenso, profundo,  azul, cheio de história e cheio de vida. Sento-me em meu singelo barquinho em alto mar. Solitária e insegura lanço a minha vara com o meu pequeno anzol. Algumas ondas insistem em invadir o meu barco. Fecho os meu olhos, respiro profundamente e em meio a tormenta começo a trazer à memória  a lembrança dos caminhos íngremes e das pedras que atravessei para chegar bem aqui onde eu sempre quis estar: à bordo do meu barquinho em alto mar agarrada à minha vara de pescar. Aos poucos o mar vai se acalmando e eu me lembro de colocar a isca. Era isso, o mar sempre esteve cheio de peixes afinal, só faltava aquele minúsculo mas tão essencial elemento: o alimento.