De criança gostava de dançar e de chorar na frente do espelho. Quando dançava eram os movimentos mais confiantes que eu jamais ousaria reproduzir publicamente. Eu não queria que ninguém soubesse o quanto eu era boa pois sempre desconfiei das pessoas. Mas no espelho eu confiava e gostava de manter com ele essa relação secreta. Quando chorava, que nem sempre era por uma explicação razoável, gostava de fazê-lo de frente ao espelho simplesmente para observar a beleza da lágrima escorrendo lentamente dos meus olhos ao meu queixo, me agradava sentir a sua temperatura morna e ver os meus lábios tremerem suavemente. Me encantava o brilho e a profundeza dos olhos chorosos. O espelho me permitia transitar entre e a dança e o drama.
Bem vindo(a) ao meu jardim! Aqui você é livre para sentir, ser, descobrir e florescer. Para desfrutar melhor da visita, sugiro que tire os sapatos. Se desejar uma experiência ainda mais profunda, deixe pra trás as roupas velhas! (você irá perceber que elas não te servem mais ao longo da visita). Bom passeio e volte sempre!