De criança gostava de dançar e de chorar na frente do espelho.
Quando dançava eram os movimentos mais confiantes que eu jamais ousaria reproduzir publicamente. Eu não queria que ninguém soubesse o quanto eu era boa pois sempre desconfiei das pessoas. Mas no espelho eu confiava e gostava de manter com ele essa relação secreta.
Quando chorava, que nem sempre era por uma explicação razoável, gostava de fazê-lo de frente ao espelho simplesmente para observar a beleza da lágrima escorrendo lentamente dos meus olhos ao meu queixo, me agradava sentir a sua temperatura morna e ver os meus lábios tremerem suavemente. Me encantava o brilho e a profundeza dos olhos chorosos.
O espelho me permitia transitar entre e a dança e o drama.
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