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Dia do escritor

  Hoje é Dia do Escritor. E eu? Nunca nem sequer me achei digna de ser chamada assim. Nunca contei com essa possibilidade na minha vida. O dia em que minha caixa de livros chegou, eu a abri e vi vários exemplares com meu nome na capa, empacotados em pilhas de 20 em 20... suei frio. Minha felicidade era proporcional ao meu medo. Outro desafio foi o meu primeiro autógrafo: “Quem sou eu pra dar autógrafos?” “O que vou escrever?” “E se me escapar uma palavra errada?” “Minha letra é horrorosa...” Foi bem difícil silenciar os pensamentos intrusivos. Além de tudo, eu não tenho uma história parecida com as que costumo ler nas biografias de escritores — aquelas que falam de uma infância recheada de livros. Nasci em uma família de pais com baixa escolaridade. O primeiro (e único) livro infantil de que tenho lembrança de ter entrado na nossa casa se chamava Chuva ,  o qual me lembro com muito carinho, este livro só chegou porque fazia parte da lista de material escolar do prime...
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Pequenezas Portuguesas

 Quando vim para Portugal, estava grávida. Assim me desejavam um bom parto: -Uma hora PEQUENINA! No restaurante, o garçom ainda me confirma: -A CONTINHA? Após eu pedir a conta. -Bom dia MENINA! me reponde o senhor de boina na esquina. E essas tantas pequenezas,  são enormes ao me acolher  em terras portuguesas.

na época que eu era sonhadora

 Na época que eu era sonhadora a vida era relativamente fácil. Eu podia manter o sonho em seu pedestal imaterial da imaginação. Até que um dia eu descobri que era possível materializá-los. Foi o início da minha desilusão. Por vezes dá até saudade da época que eu apenas sonhava porque realizar dá muito trabalho, é penoso, doloroso, demanda força física, emocional, mental e muita ação. Sonhar não. A gente sonho até deitado de braços cruzados. Deixei o trono da sonhadora pela espada da realizadora. Que infortúnio! Às vezes caio, me machuco, cuido de minhas próprias feridas, me levanto, sigo para a próxima. É raro o descanso mas aprendi a celebrar as mais pequenas das conquistas. Aprendi que sou muito mais forte do que eu imaginava. Aprendi que o sonho é o começo da batalha.

Por favor, salve a infância!

Por favor, salve a infância! Das presas de sua pressa, do laço da sua vaidade, do seu destino escasso fundado em teu desgosto. Por favor, salve a infância do teu cansaço! Dê chance à vindoura esperança, Que carrega, de peito aberto, o corpo desperto da criança. Confie em quem sabe melhor o caminho da salvação; Pois são delas o reino dos céus e a verdade, O amor e a evolução. Aceite os seus convites para dançar, sorrir, contemplar e descobrir; Deixe-as fantasiar este mundo injusto e mesquinho! Admita, não vale a pena insistir no mesmo caminho. Deixe-as trazer as boas novas, as novas cores; Permitam-nas nos revelar a aurora! Pois, nós já entardecemos demais, talvez, até anoitecemos. Estamos cansados,  com sono. Mordemos a maçã envenenada; Permitam-nas nos despertar com o frescor da madrugada. Não as queira sentadas, imóveis; Nem sérias, nem mudas; Se de tanta seriedade e silêncio,  se fez a guerra e a ignorância; Salva o mundo quem sabe brincar,  Salva o mundo quem salva a ...

Ao Bento

Um dia eu desejei que tivesses coragem. Então deixei a margem e me lancei ao mar; Um dia eu sonhei te ver sonhando alto e me afastei do asfalto até a lua pisar; Um dia pedi a Deus para que fostes forte e, mesmo sem aporte, eu aprendi lutar; Um dia ambicionei que encontrasses Deus, mas foi nos olhos teus que eu O pude achar. Assinado: mamãe🌟🌺🤌🏽❤️

Benção à vó Lindaura

A Benção à vó Lindaura: Índia, morena e formosa.  De panturrilhas torneadas e canelas lustrosas.  Com a saia de viscose na altura dos tímidos joelhos, que só sentada no sofá, a catar feijão, podíamos vê-los. Minha linda avó Lindaura com seus coques e saiotes, Dos tempos que viúva respeitada, não sorria aos holofotes. Não aprendera a ler mas sabia precisamente das horas. Em sua caderneta, tinha anotado, das dívidas, cada centavo. Seu guarda-roupa cheirava  Alma de Flores. Sua penteadeira, forrada com um paninho de linho engomado, parecia um altar! Cada objeto tinha o seu exato lugar e razão de estar: Um pente, um sabonete, um creme Shen;  Um lenço branco bordado e um retrato  de seu bem, Uma caixinha de madeira maciça com um feche de dobradiça; Na tampa, uma gravura de flor pintada Dentro, além dos botões, uma solitária e preciosa noz-moscada.  Na caixinha de música, a bailarina deslizava  a sua dança; Bem ali diante de mim, no altar sagrado da  in...

o dia que

O dia que me permiti errar, comecei a aprender; O dia que descobri que nada sabia, comecei a entender; O dia que soltei o peso da certeza,  a verdade, com leveza, me ensinou a renascer; O dia que amei o destino,  no meio do desatino,  encontrei razão de ser. 🌺🌼🌸🌷🍃