Hoje é Dia do Escritor. E eu? Nunca nem sequer me achei digna de ser chamada assim. Nunca contei com essa possibilidade na minha vida. O dia em que minha caixa de livros chegou, eu a abri e vi vários exemplares com meu nome na capa, empacotados em pilhas de 20 em 20... suei frio. Minha felicidade era proporcional ao meu medo. Outro desafio foi o meu primeiro autógrafo: “Quem sou eu pra dar autógrafos?” “O que vou escrever?” “E se me escapar uma palavra errada?” “Minha letra é horrorosa...” Foi bem difícil silenciar os pensamentos intrusivos. Além de tudo, eu não tenho uma história parecida com as que costumo ler nas biografias de escritores — aquelas que falam de uma infância recheada de livros. Nasci em uma família de pais com baixa escolaridade. O primeiro (e único) livro infantil de que tenho lembrança de ter entrado na nossa casa se chamava Chuva , o qual me lembro com muito carinho, este livro só chegou porque fazia parte da lista de material escolar do prime...
Quando vim para Portugal, estava grávida. Assim me desejavam um bom parto: -Uma hora PEQUENINA! No restaurante, o garçom ainda me confirma: -A CONTINHA? Após eu pedir a conta. -Bom dia MENINA! me reponde o senhor de boina na esquina. E essas tantas pequenezas, são enormes ao me acolher em terras portuguesas.