Uma essência de suor misturado com óleo diesel. Esse era o cheiro do abraço mais esperado do dia. Chegava sempre no mesmo horário. Tão certo quanto o nascer do sol. E eu, que ainda nem sabia ver as horas. Organicamente pressentia que a sua chegada se aproximava. E então, me agitava rumo a janela, rumo a porta, rumo ao portão em um incontrolável êxtase infantil. Quando já impaciente dava as costas, lá ouvia o barulhinho das chaves e gritava o seu nome tão intensamente quanto corria em sua direção. Aquele abraço era tão importante quanto o calor do sol pra mim. Após beijar o seu rosto luminoso de suor. Sentia os meus lábios deslizarem um no outro com o óleo que recolhia. Uma vez ungida pela sua essência, descia de seu colo, abria a sua bolsa e avistava a marmita de lata enrolada num pano e, ao lado, o saco de pão quentinho abafado. Constância, certeza, sustento Sol, suor, calor e pão São ritmos, sentidos e sentimentos que de ti carrego desde então.
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